Modelo indica calor extraordinário de quase 50ºC para o Rio Grande do Sul na metade deste mês

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Modelo norte-americano GFS vem projetando calor extraordinário de quase 50ºC para o Rio Grande do Sul e o Uruguai na metade deste mês. Entenda os cenários possíveis de calor.

O modelo meteorológico norte-americano GFS projeta em sucessivas saídas temperaturas de até 47ºC na área de Porto Alegre e máximas perto de 50ºC no Rio Grande do Sul, Centro da Argentina e no Uruguai no final da próxima semana. Seria o maior calor de todos os tempos, a “mãe de todas as ondas de calor” com valores que dizimariam recordes de temperatura máxima que perduram por mais de um século e com recorrência talvez de milhares de anos.

Estes valores extraordinários, beirando o inimaginável, têm aparecido em vários sites e aplicativos que oferecem previsão do tempo gerada automaticamente por computador a partir de um ou mais modelos, sem intervenção de meteorologista, inclusive no prognóstico para dez dias automático por municípios que é oferecido ao usuário gratuitamente no site da MetSul.

No caso do Rio Grande do Sul, a literatura técnica observa que os modelos exageram as altas temperaturas nas áreas subtropicais na estação quente, o verão, enquanto que os vieses negativos são vistos nos meses frios em toda a região (Menéndez, C. G., and coauthors, 2010: Downscaling extreme month-long anomalies in southern South America. Climatic Change, 98, 379–403, doi:10.1007/s10584-009-9739-3).

Projeções de modelos para sete a dez dias no verão são menos confiáveis que no inverno, uma vez que a atmosfera mais quente e instável favorece mudanças mais frequentes e radicais de prognósticos enquanto na estação frias as tendências de sete a dez dias costumam apresentar uma maior regularidade e menos alterações. Com isso, o que hoje, 7 de janeiro, o modelo indica para o dia 15 de janeiro pode ser radicalmente diferente do que o mesmíssimo modelo indicará para o mesmo dia 15 em 13 ou 14 de janeiro.

O que o modelo GFS tem projetado? Rodada após rodada tem indicado calor em patamares que são absurdamente altos e além do que poderia ser concebível para áreas como a do Rio Grande do Sul. Vem apontado máximas tão altas quanto perto de 50ºC e de até 47ºC para Porto Alegre.

Valendo-se apenas de um ponto da grade, no caso a capital gaúcha, o modelo GFS indicou na sua saída das 12Z de ontem para Porto Alegre máximas de 41ºC no dia 12, 39ºC no dia 13, 44ºC no dia 14 e 46ºC no dia 15. Na saída das 18Z de ontem, o GFS projetou para a cidade 42ºC no dia 12, 37ºC no dia 13, 39ºC no dia 14 e 42ºC no dia 15. Na rodada da 0Z de hoje, o mesmo modelo apontou para Porto Alegre 39ºC no dia 12, 42ºC no dia 13, 45ºC no dia 14 e 46ºC no dia 15. Já na rodada das 6Z de hoje, o GFS projetou 38ºC no dia 12, 37ºC no dia 13, 40ºC no dia 14, e 47ºC no dia 15.

Que um dos principais modelos meteorológicos existentes e o mais usado no mundo – porque de acesso gratuito – esteja projetando valores tão absurdamente altos por óbvio faz acender uma luz de alerta para nós meteorologistas. “Opa, isso é extremo, é preciso acompanhar de perto”.

Até porque, mesmo estando no território do absurdo, os últimos meses no mundo tiveram eventos que se concebia como quase impossíveis como a onda de calor no Oeste dos Estados Unidos e Canadá em junho de 2021 que deixou 800 mortos e com estimativas de até 1.400 fatalidades. Seattle (EUA) anotou 42ºC, quando a média máxima de junho é de 22ºC, o que seria equivalente a título de comparação e ilustração Porto Alegre ter 50ºC, já que a média máxima de janeiro é de 30ºC.

Cautela e atenção porque, mesmo que o modelo esteja exagerando, há uma sinalização de risco de um evento extremo. Nesse sentido, como expliquei antes, a previsão do tempo pelos meteorologistas não é feita valendo-se de um só modelo. No meu caso e dos meus colegas da MetSul, utilizamos vários e o modelo europeu costumam ser o “fiel da balança” pelo seu alto índice de acerto.

Em síntese, o risco de calor extremo na metade do mês é real, mas os valores apresentados pelo modelo GFS por ora duvidosos. Como calor muito extremo pode ter efeitos graves para a sociedade, inclusive para a saúde e a vida, vocês podem contar conosco para se informar. Será o nosso principal foco de atenção nos próximos dias. Com transparência, como sempre, vocês estarão cientes do que pode vir.

Com informações Metsul

Modelo indica calor extraordinário de quase 50ºC para o Rio Grande do Sul na metade deste mês

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