Dia da Mulher: Bate papo com a Presidente da Epagri, Edilene Steinwandter

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O Dia Internacional das Mulheres é celebrado, anualmente, no dia 8 de março, nesta semana e para bem representá-las, todas as mulheres, convidei a Edilene Steinwandter para um bate papo, ela que é um grande exemplo no que se refere a luta e conquista pelos direitos profissionais das mulheres, que lutam por uma posição de destaque no contexto profissional. A busca constante por ultrapassar obstáculos faz parte da rotina, e a quebra de preconceitos geram representatividade e inspiram novas trajetórias. Um exemplo disso é percebido pela Edilene, que representa todas as mudanças que ocorreram graças a estas mulheres corajosas e poderosas, que devotaram boa parte de suas vidas para mudar a história e permitir que você possa fazer tudo isso, mulheres líderes e hoje, sem um olhar de reprovação.

Homemagem recebida do CAV/Udesc. Se hoje estou presidente da Epagri, se posso colaborar para o desenvolvimento de uma sociedade melhor, devo também esta conquista ao CAV/Udesc. Agradeço não só pela homenagem, que muito me orgulha, mas principalmente pelo conhecimento e valores que me foram repassados na minha graduação e que me permitiram chegar onde cheguei. AO CAV todo meu reconhecimento e gratidão.

Edilene é um exemplo de que acreditar no sonho e trabalhar para realizá-lo, com muita persistência e determinação são a chave do sucesso profissional. A história dela mostra para outras mulheres que é necessário se desafiar para atingir aquilo que parecia inalcançável é possível. Edilene Steinwandter foi uma destas mulheres que alçou voos para mostrar que o impossível para uma mulher determinada, focada, com amor e paixão ao que faz nós mostra que com muita competência não existe o impossível. Pioneira em diversos sentidos, é a primeira mulher a ocupar o cargo de diretora-presidente da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). Mais que isso, realizou um sonho de infância de trabalhar na empresa. Vinda de uma família de agricultores, Edilene praticamente cresceu no meio rural. 

A presidente da Epagri, Edilene Steinwandter, é uma das 100 mulheres poderosas do agro brasileiro. Ela foi incluída na lista da Forbes que destaca mulheres na produção de alimentos, pesquisa, empresas, foodtechs, consultorias, instituições financeiras, política, entidades, grupo e influenciadoras digitais.

Edilene Steinwandter é a primeira mulher a assumir a presidência da Epagri, além disso, ainda foi a primeira a assumir diversos outros cargos de liderança dentro da empresa.

Edilene comenta que mesmo com todos estes desafios que a mulher diariamente enfrenta, ela se considera um exemplo para aquelas que sonham alto como ela. “Porque todas as funções que eu fui assumindo ao longo da minha vida foi consequência do meu trabalho. Hoje eu estou em uma função que é um cargo de confiança do Governo do Estado, mas eu tenho clareza que o convite para eu assumir foi pela minha trajetória e pelo meu trabalho. Por isso eu acho que é um exemplo no sentindo de que vale a pena sonhar, trabalhar, expor suas opiniões e se colocar. Independente da atividade ou função que a gente exerce é preciso mostrar competência sim e que nós temos capacidade”, comenta.

Nestas fotos da presidente da Epagri, Edilene Steinwandter e o pioneiro na extensão rural em Santa Catarina, Glauco Olinger. 

Fotografias: Gisele Dias/ Epagri

Fotos bem representativas de duas gerações de muito amor e dedicação a Epagri.

Fotografias: Gisele Dias/ Epagri

Confira a Entrevista:

Na foto de infância pela expressão já se percebe, Edilene em sua essência em seu "ser" já residia a alegria e determinação e vontade de viver e fazer a diferença no mundo;

Fale sobre a presença da mulher no agronegócio brasileiro:

Edilene: Ser mulher no agronegócio brasileiro ainda é superar desafios, mas aos poucos a presença feminina vem crescendo no setor. A começar pela ministra Tereza Cristina, até as propriedades de agricultura familiar, vejo cada vez mais mulheres responsáveis pelas decisões e pelo andamento de seus negócios.

Segundo o Censo Agropecuário 2017 do IBGE, das 501.811 pessoas ocupadas na agropecuária catarinense, 173.484 são mulheres, o que representa 34,6% do total. O mesmo levantamento mostra que dos 183.066 estabelecimentos agropecuários existentes em Santa Catarina, 18.871 são dirigidos por mulheres, perfazendo 10,3% do total. Mas é importante ressaltar que a pesquisa também apontou que em 35% das propriedades dirigidas por homens, os agricultores afirmaram que a gestão era conjunta, do casal.

No âmbito nacional o IBGE identificou 947 mil mulheres responsáveis pela gestão de propriedades rurais, de um universo de 5,07 milhões. A maioria está na região Nordeste (57%), seguida pelo Sudeste (14%), Norte (12%), Sul (11%) e Centro-Oeste, que concentra apenas 6% do universo de mulheres dirigentes.

Em nossa experiência de trabalho na Epagri percebemos essa influência cada vez maior da voz feminina. Desde 2012 a Epagri oferece cursos para jovens agricultores e a participação delas aumenta a cada ano. É possível ver também a inclinação natural das mulheres às inovações e às atividades coletivas, que visam o bem comum. Tudo isso me leva a crer que, o aumento da presença da mulher no agronegócio é um processo que não tem volta e oferece um futuro promissor a elas e à sociedade.

Foto Instagran

Desde o início de sua caminhada profissional, quais mudanças você nota nas estruturas de trabalho e na igualdade de direitos entre homens e mulheres? Houve avanços?

Edilene: Houve avanços sim. Desde a minha graduação, em 1999, muita coisa evoluiu em termos de igualdade de direitos entre homens e mulheres no meio profissional. Nós nos organizamos e, de forma coletiva e com apoio de toda a sociedade, impulsionamos avanços na legislação para coibir situações de assédio e de discriminação. Hoje já não é mais aceitável que alguém recuse a presença de uma mulher em cargos profissionais unicamente por seu gênero. É claro que isso ainda acontece, tenho clareza de que ainda há muito a ser feito, mas com a evolução das leis e da consciência coletiva, cada vez mais essas situações são denunciadas e expostas ao público, servindo como uma forma de conscientização e inibição daqueles que ainda teimam em negar espaços para elas no mercado de trabalho.

Edilene e o governador de SC em evento de dia de campo.via instagran

Hoje vemos muito mais mulheres ocupando cadeiras gerenciais e diretorias sendo lideradas por mulheres, o que você diria para quem sonha um dia realizar?

Edilene: Eu diria: prepare-se. Esteja pronta, tanto no nível profissional, quanto no pessoal, para enfrentar esse desafio. É importante manter-se atualizada em sua área de atuação, estar atenta ao que há de mais novo no mercado, participar de fóruns de discussão, da construção de políticas públicas, se posicionar sobre os assuntos com conhecimento e segurança. No campo pessoal, é preciso fortalecer-se mentalmente e, no caso daquela que têm filhos, vale a pena pensar na possibilidade de montar uma rede de apoio, para que possa executar suas funções profissionais com mais tranquilidade.

Em sua experiência, como se deu a transposição de obstáculos e o aproveitamento de oportunidades?

Edilene: Para aproveitar as oportunidades profissionais que surgiram ao longo do meu caminho precisei de ousadia e apoio. Iniciei minha carreira profissional no início dos anos 2000, na região Oeste de Santa Catarina. Em 2002 ingressei na Epagri, como extensionista em Ponte Serrada, e em 2011 assumi o cargo de gerente regional de Xanxerê. Em 2015, veio mais uma mudança, precisei estabelecer residência em Florianópolis, para assumir a Gerência Estadual de Extensão Rural, onde permaneço até hoje, após minha posse na presidência da Epagri, em fevereiro de 2019. Nenhuma destas mudanças se deu sem uma dose de coragem e a compreensão de meus familiares de que elas eram fundamentais para meu crescimento profissional.

Precisei também estar preparada para enfrentar todos os obstáculos, mantendo o foco em meus objetivos finais, que não foram esquecidos apesar das dificuldades. Do ponto de vista pessoal, me fortaleci psicologicamente e, do ponto de vista profissional, fui procurando me capacitar cada vez mais.

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Foto: (Ricardo Wolfenbutell-Secom)

Há um “perfil ideal” esperado da mulher contemporânea visto como necessário para que ela consiga suprir as exigências do mercado? Como lidar com isso?

Edilene: É preciso lidar com serenidade com as exigências que nos são impostas, que muitas vezes vêm em maior carga pelo simples fato de sermos mulheres. É importante levar em consideração nossas aspirações e valores e não apenas aquilo que esperam da gente, fugindo de estereótipos e mostrando ao mercado que é possível sim ser líder, ser competente na gestão, sem perder as características que nos diferenciam dos homens.

Fotografias: Epagri

Para as mulheres que estão começando a carreira no agronegócio, o que você pode compartilhar de ensinamento para que elas prossigam?

Edilene: É importante não se deixar intimidar. É importante também que a coragem e ousadia caminhem junto com a sensibilidade, característica do universo feminino. A tendência da mulher de pensar no coletivo, no bem comum, pode ser um diferencial para aquelas que desejam ingressar na carreira do agronegócio, atualmente ainda tão masculinizada. Para quem deseja ter sucesso na área, meu principal conselho é: seja forte sem perder sua essência.

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Foto: (Ricardo Wolfenbutell-Secom)

Qual o sentimento sentiu quando foi escolhida como primeira mulher a presidir a Epagri:

Edilene: Foi um sentimento de orgulho e, ao mesmo temp, consciência da grande responsabilidade que assumia. Orgulho de poder representar a força das mulheres no agronegócio catarinense e responsabilidade de manter a Epagri como modelo para o Brasil. 

Na época que assumiu a presidência da Epagri, você destacou sobre sua motivação em assumir o importante desafio? Passaram alguns anos à frente do cargo me fala um pouco sobre os desafios mais cruciais que passou:

Edilene: Apoiar agricultores no enfrentamento de fenômenos meteorológicos extremos sempre é um desafio. Os prejuízos financeiros podem ser repostos, porque o governo do Estado conta com políticas públicas específicas para esse fim, mas sempre fica o trauma para as famílias, a frustração de ver o trabalho perdido. Nunca é fácil, nem para mim, nem para a equipe da Epagri, passar por esses momentos. O que nos resta é nos mobilizarmos para darmos o melhor suporte para que estas famílias superem estes momentos com o mínimo de sofrimento possível.

Outro momento desafiador, não só para mim, mas para toda a Epagri e, é claro, a sociedade de forma geral, foi a pandemia. O trabalho de extensão rural que a Epagri executa em todo o Estado implica no atendimento presencial às famílias agricultoras. Com a necessidade de distanciamento social, eu e minha equipe precisamos encontrar novas formas de chegar até os agricultores, de modo a garantir a continuidade do trabalho e a segurança alimentar da população. Neste momento, nos valemos das ferramentas digitais, com atendimento e cursos on-line, por exemplo, que mantiveram nossa conexão com as famílias agricultoras.

É claro que eu não poderia ter superado estes e outros desafios sem o apoio incondicional dos 1.650 funcionários da Epagri, que sempre atenderam ao apelos da sociedade e nas horas mais difíceis provaram sua bravura e amor pelo serviço público gratuito e de qualidade.

Vinda de uma família de agricultores, você praticamente cresceu no meio rural, embora foi para cidade com seus pais, mas manteve o vínculo sempre forte com o meio rural por causa de seus tios que moravam no sitio. Qual a lembrança mais valiosa que tens da sua infância no meio rural:

Edilene: Nossas férias de verão (minha e dos meus irmãos) era na casa dos meus padrinhos e tios em cima de cavalo lavrando no meio do milho. No final e início do dia buscávamos as vacas para a ordenha, esse era um dos trabalhos das crianças. Vivenciávamos o dia a dia do trabalho durante todo o período de férias e tantos outros finais de semana e feriados no decorrer do ano. Lembro do cheiro da polenta sapecada na chapa do fogão a lenha, da maciez do pão da minha madrinha, do sagu de leite, dos almoços de domingo na beira do rio. São muitas as lembranças para descrever aqui, mas posso dizer que são estas as lembranças que me fazem ter certeza que estou na profissão certa, porque através do meu trabalho posso contribuir para a melhoria da qualidade de vida de tantas famílias agricultoras.

Quando decidiu que iria estudar agronomia Edilene:

Edilene: Sabia que queria trabalhar com a área agrícola desde de que nasci (risos), então quando estava no segundo grau comecei a pesquisar sobre os cursos ligados a agricultura e não tive dúvida que meu futuro profissional seria na agronomia.

Me fale sobre teu sonho de trabalhar na Epagri:

Edilene: Quando criança, morava em frente ao escritório da Acaresc, hoje Epagri em Treze Tílias. Foi naquela época que comecei as cultivar o sonho de poder ajudar os agricultores assim como aqueles funcionários ajudavam, vendo o trabalho daquelas pessoas dedicadas a construir um mundo melhor a partir de meio rural catarinense.

Na foto Governador de SC recebe a Edilene,conversando sobre a Catarinense estar na lista das 100 mulheres poderosas do agro brasileiro.

Você não deu importância a possibilidade de sofrer o preconceito por ser mulher em assumir os cargos de liderança dentro da empresa. Você declarou uma vez “Porque talvez eu também não procurei enxergar. Eu sempre me coloquei em um papel de igual, nunca numa condição de inferior, de vitimização ou de não competência”, você tem confiança em ti e muita determinação para realizar seus objetivos e principalmente se entrega ao que se compromete, e isto facilita a aceitação:

Edilene: Tenho meus medos, limitações e inseguranças, mas nunca deixei que isso fosse maior que minha coragem, ousadia e determinação. O preconceito existe e infelizmente ainda é presente, mas trabalho para ajudar tantas outras mulheres a mudar esta realidade.

Foto: Arquivo Pessoal

As palavras sonhar e trabalhar que significam para você:

Edilene: Para mim elas caminham juntas, porque só se realiza um sonho com muito trabalho e esforço.

Este é meu pai Carlos Jose Steinwandter e sua maior riqueza .Pai obrigada por ser nossa referência de honestidade, trabalho, amor, humildade e dignidade. Em você me reabasteço de fé, esperança. ( Edilene steinwandte).

Uma inspiração pessoal e profissional:

Edilene: Sou uma pessoa de muita fé, minha maior inspiração é Deus. Meus pais e meus irmãos são a base e a essência do que sou, meu esposo e meu filho são meus estímulos. Família, amigos, professores, colegas de trabalho, enfim, me inspiro no melhor de muitos que me rodeiam.

Arquivo Pessoal

Um momento marcante em sua vida:

Edilene: O nascimento do meu filho, a benção de ser mãe.

Quando recebi o convite para assumir a presidência da Epagri. Quando termino o dia com o sentimento que pude fazer a diferença para melhor.

Um livro que gostou de ler:

Edilene: O vendedor de sonhos – Augusto Cury

O que gosta de fazer nas horas vagas:

Edilene: Estar com a família, ler, encontrar amigos e conversar bastante. Gosto muito de viajar, conhecer novos lugares, culturas, comidas e pessoas.

Sempre tomamos alguém como referência, um modelo a ser seguido por afinidade ou simplesmente por admiração. São mulheres que admiramos por sua garra, força, fé, perseverança, entusiasmo e otimismo. E nesta data quero reforçar o debate sobre respeito e representatividade. Mulheres aumentam presença em diferentes áreas, mas ainda precisam vencer desafios.

Por Sandra Rosa

Dia da Mulher: Bate papo com a Presidente da Epagri, Edilene Steinwandter

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